- O quê?! Não compreendo porquê.
- Porque tu és a razão do meu respirar.
E era sempre assim. Ela não estava, Ele não vivia, sobrevivia. Ela não podia falar, Ele desesperava e não sabia o que fazer, como fazer... Era sempre sempre assim. Ele não a deixava respirar, não lhe dava espaço, não lhe dava vida, impedia-a de conhecer o mundo, impedia-a de se levantar sozinha depois de bater com a cabeça na parede, impedia-a de viver. Escondia-a do mundo.
Um dia, Ela fartou-se.
- Acabou tudo, chega. Não consigo mais.
- Não estou a entender...! - Já aflito e com as lágrimas no canto dos olhos.
- Não dá, tu não me dás espaço, desculpa. Preciso de pensar. Tenho de me ausentar de ti. Tenho de te deixar por uns momentos para me poder libertar. Desculpa!
«Não aguento. Eu sem ti não sou ninguém. O amor é cego e o meu coração também. Não consigo estar sem ti, desculpa se te sufoquei. Desculpa se não consegui ser quem esperavas. Desculpa se te desiludi. Desculpa se não sou nem à metade do que tu sonhaste! Desculpa-me por te impedir de viver. Desculpa-me, por favor.
Se me deres outra chance, estarei pronto para começar, estarei pronto para te amar do zero. Não me digas que não, fomos feitos para ficar juntos, sinto-o, pressinto-o, acredito nisso! Acredita tu também. Ajuda-me, ajuda-nos.»
Mas não dava, Ela não conseguia, não agora, não naquele momento.
Ele cansou de esperar, partiu, seguiu em frente.
- Estou aqui! - Diz Ela.
- Ainda bem que sim. Estás bem?
- Sim. Precisamos de falar, não?
- Não, querida. Acho que já não temos nada para falar. Estava a sufocar-te e tu, deixaste-me. Compreendi-te, pedi-te para recomeçar, ignoraste. Quem deixa fugir, sofre as consequências. Mas amo-te, sempre!
- Não pode ser... Acredito que «fomos feito para ficar juntos, sinto-o, pressinto-o, acredito nisso!» - tu mesmo o disseste...
E o silêncio invadiu o quarto. Ele saiu, Ela ficou sozinha e nem assim, se deixou caída no chão. E nem assim deixou de lutar por Ele e por tudo. Levantou a cabeça, ergueu-se e pensou: Ele lutou sempre, agora está na hora de ser eu a fazê-lo. Não me apercebi do mal que lhe fiz, mesmo quando ele me fez mal, mas só queria o meu bem. Tenho de ver o lado dele também. O amor é cego e o coração também! Este foi só um ponto baixo da relação, mais anos virão e novas coisas se porão à nossa frente, certo? Não o posso perder. Vou lutar, com tudo o que tenho! - Assim foi. Lutou, durante dias... chegou a um mês e nada, nada mudava, Ele continuava igual. Amava-a, demonstrava-o, mas nada. Não acontecia mesmo nada.
Certo dia, ela beija-o...
- Porque o fizeste?
- Não queres?
- Quero, já à muito. Pensei que não fosses capaz de tomar o primeiro passo e dar certezas de que agora é para sempre.
Sorriu. Abraçou-o. E todo o tormento acabou!

É simples quando se quer.
- Amo-te - diz Ela.
1 comentário:
é de uma música :D
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