30 dezembro 2010

Por uns tempos

São histórias...
Enquanto adormeço, sinto as tuas mãos percorrerem cada fio do meu cabelo e ouço cada sussurro teu ao meu ouvido. Ouço as palavras de perdão. Ouço as palavras de uma vida eterna a teu lado se medos. Prometes-me o imaginário e eu acredito. Prometes-me tudo e mais alguma coisa e eu, na ingenuidade volto a acreditar. Confio em ti com tudo o que tenho e não tenho. As forças quando se fala no teu nome, triplicam-se e tu és o meu Sol, a minha fonte de energia. Dás luz ao meu quarto todas as manhãs e acordas-me com os teus suaves raios... É tudo muito perfeito dito desta maneira.
Quando começo a ver as coisas no mundo real, tu já não és nem à metade do príncipe que eras naquela história. Tu és um monstro que me tenta pisar e espezinhar com tudo o que tem, sem ter dó nem piedade. Sem pensar que me posso vir a magoar... Mas sim, tenta, apenas, porque quando se tem força não se deixa cair nem que a pior coisa do mundo aconteça.
Magoas-me, é verdade.
E aquelas palavras que dizes e parecem ser bonitas, são horríveis e se eu pudesse calar-te de cada vez que tu as começasses a pronunciar, eu fazia-o com todo o prazer... mas pensando bem, já não quero! Porque, quem diz palavras tão feias como essas, faz coisas tão horríveis que condizem com essas mesmas palavras. Então eu fico-me por ouvir-te ou simplesmente partir e deixar-te sozinho a falar.
E mais uma vez, magoas-me, é verdade.
Mas eu não me importo. "O que não mata, torna-nos mais fortes." - tu não me matas no sentido figurado da palavra, mas sim no literal, ou melhor, matavas, até isso já nem força para fazer tens. Eu consigo ser mais forte que os teus actos, que as tuas palavras feias e que a tua cara de raiva ao olhar para mim. Eu consigo ter força suficiente para te calar a ti e a mais umas quantas pessoas iguais a ti.
E dir-te-ei mais uma vez, magoas-me, é verdade.
E eu poderia não querer voltar a ver-te à minha frente nunca mais... Mas para quê? Não faz sentido. Se tu me apareces à frente, por alguma coisa é. Os nossos caminhos estão traçados, em relação a isso, não podemos fazer mesmo nada, se não queríamos que fosse assim, nunca nos tínhamos aproximado. Mas também não comandamos nos sentimentos e no amanhã. O amanhã faz-se com atitudes nossas. Mas não me lembrei que poderia sofrer. Eu confiei em ti. Tu chegaste naquela noite e fizeste dela a noite mais cintilante da minha vida... E depois, deixei os dias correr consoante o que tinham que ser. Errei, tu erraste. Não somos santos nem demónios. Somos humanos e aprendemos com os erros, pensamos mais com o coração do que com a cabeça.
E só mais uma vez, magoas-me, é verdade.
Todos os dias e mais alguns desde que te conheci. Quer dizer... agora menti. Não foram todos. Já houve dias, os primeiros, ao início que o meu sorriso brilhava como uma Estrela lá de cima, como nunca antes tinha brilhado; já houve vezes que a minha gargalhada foi a mais sincera, quando ao teu lado me encontrava; já houve vezes também que o meu olhar chamava por ti, como nunca antes tinha chamado por ninguém... Mas as coisas mudaram. E eu entendi. Tarde, não interessa, entendi.
E, hoje, talvez, tenha certezas de que "contigo ou sem ti, tornou-se indiferente." ou então não, podem ser só palavras da boca para fora... Acho que seria o mais provável. Porque como já me disseram "o ódio está todo nessa cabecinha, não nesse coração." Infelizmente também é assim.
Mas eu estarei aqui para descobrir, contigo ou sem ti.

Fizeste a cama onde te quiseste deitar, tu fizeste a história onde queres ser a protagonista. A história é tua, as personagens são igualmente tuas, os dramas mais uma vez, pertencem-te somente a ti e eu, só farei parte dessa história se tu me quiseres encaixar nela...mas atenção, da próxima vez, serei eu a pensar se quero que me encaixes ou não. Pensarei muito bem sobre tudo, da próxima vez. Se houver uma.

(Adorei escrevê-la, inspirei-me imenso. - Alterações no género.)

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