Eu já fui a diferença que o mundo quer ver. Eu já ultrapassei as minhas barreiras e limites. Já me encontrei no mundo, já sei para que faço falta. Já compreendi a razão da minha existência... Ou se calhar, compreendi só por segundos, porque na verdade ela volta a mudar no minuto a seguir.
Mas eu, já fui diferente nem que seja por um só dia. Consegui pôr pessoas a rir quando mais ninguém conseguia; consegui pôr a chorar com uma simples palavra, pessoas que nunca antes choraram nessas situações. Eu já fui diferente.
Mesmo reconhecendo que todos os dias sou igual, porque quero. Não marco o meu território, não me diferencio de toda a gente como devia lutar por fazer todos os dias.
Quando me encontro perante um problema, eu sei que luto, sei que não desisto mesmo parecendo estar no chão, na fossa. Eu luto até ao fim e no fim dessa luta saio vencedora! Seja no amor ou na amizade. Eu venço porque é realmente aquilo que quero. Eu venço porque no fim, para além de sair vencedora como suposto, saio feliz e acompanhada. Afasto o inimigo e aproximo o amigo... Sei que por vezes não abraço ou limpo as lágrimas quando é preciso, mas sei que estou sempre lá para ajudar. Não me culpo pelo feitio que tenho, mas sim aos outros por me terem tornado assim tão fria e por vezes cruel. Culpo-me por algumas atitudes tomadas, isso sim, mas não me culpo por me ter tornado assim. Se sou assim foi porque no passado já erraram comigo, já me fizeram sofrer, já me magoaram, já me puseram a chorar, já me fizeram ver coisas que eu não pedi nem merecia ver... Mas a quem é que isto não aconteceu? É óbvio que já toda a gente passou por isto, mas uns saem com a sua personalidade sem nenhum risco e outros saem cheios deles, cheios de feridas mal curadas e que quando se toca, a ferida por muito antiga que seja, ainda deita sangue...
Não tenho culpa de em vez de confortar dizendo palavras bonitas, conforte dizendo a pura verdade, mesmo que magoe, eu acho que é assim que está correcto. Nunca consegui ser de outra maneira. Foram poucas as vezes que vi alguém chorar e abracei e disse palavras bonitas, foram poucas as vezes que soube usar as palavras sem magoar ou fazer entender o que está certo... Mas eu só me sei exprimir acompanhada de palavras. Quando elas me acompanham, sinto-me confiante e decidida do que for. Actos nunca foram o meu forte, infelizmente...
Mas agora têm de ser. Daqui em diante, terei de conseguir tomar decisões não só com as palavras mas sim com actos, terei de os cumprir custe o que custar. Agora, vivo em função de um objectivo, jamais esquecendo tudo o resto. Agora sigo em frente não só acompanhada de palavras, mas sim contigo, de novo. Mas terei de saber começar do zero sem tocar nas feridas mais frágeis, não posso deixar que elas sangrem e façam chorar de tanta dor. Não posso deixar que isso aconteça mais nenhuma vez.
Contudo não deixarei de ser eu mesma. Lutarei por um sorriso que me fez sempre brilhar, lutarei para que esse sorriso me faça brilhar mais do que o costume. Lutarei pelo que me faz realmente feliz...!
Nada na vida se consegue com um estalar de dedos, não é verdade? Eu tomei consciência disso há pouco tempo, que nada se reconquista assim. Temos de ser nós mesmos a fazer tudo sem estalarmos os dedos...
E agora sim, sinto-me confiante para seguir em frente!
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