Não gosto de pessoas. Não gosto de pessoas em todos os sentidos. Não gosto delas porque são todas a mesma coisa. Não gosto de nenhuma. Não gosto não porque são gordas ou magras; não gosto não porque são altas ou até mesmo muito baixas; não gosto pela cor dos olhos; não gosto só porque são ricas ou porque são pobres. Nada disso! Nada disso. Não gosto, simplesmente. Vem de dentro, há qualquer coisa que me atrai para não gostar de pessoas.
São todas farinha do mesmo saco. Nascem todas com o mesmo objectivo e acabam todas da mesma maneira. Têm todas os mesmos sentimentos. E continuo a não gostar de pessoas. Gosto ainda menos daquelas que têm a mania, mas não por isso que gosto mais daquelas que não têm a mania.
Umas com personalidades demasiado fortes e difíceis de domar – como muita gente diz que tenho – outras, com personalidades demasiado fáceis e que nem dá piada conhecer. E só por isto, não gosto delas. Aquelas que têm uma personalidade demasiado fácil, choram por tudo e por nada, não sabem ouvir uma critica construtiva que irá servir para mudar a sua maneira de ser (não querendo dessa maneira dizer que a pessoa que lhe faz a critica não gosta dela, de maneira alguma!). As que têm personalidades fortes, são demasiado frontais e não se preocupam com os sentimentos dos outros (é aqui que dizem que eu entro mais uma vez). Mas talvez não seja bem assim, as pessoas é que entendem como lhes convém, é sempre assim. E aqui está mais uma razão para não gostar de pessoas: são demasiado interesseiras. Já para não falar em mil e outras coisas que elas são. Mas estaria a fazer uma enorme lista e não sairia daqui nem amanhã.
Mas nasci pessoa e pessoa morrerei, logo, terei de gostar nem que de mim seja. E até que gosto de mais algumas pessoas. Mas chamo-lhes as "minhas pessoas", daí a gostar delas. Mas nunca pondo de parte que existem pessoas e pessoas. Somos todos iguais, mas todos diferentes. Acredito no impossível e que tudo pode ser diferente se quisermos com muita força.
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